Penso em deitar no seu abraço e chorar aquele choro desesperado de criança. Há muito o que se chorar. Por mais que a vida sempre se salve em um dia ou outro, preciso chorar, pois há fraquezas que somente o chorar poderá cobrir. Chorar para você me proteger do vento frio lá de fora que me invadiu por inteiro. Chorar por ter caído algumas vezes e não ter voltado para me juntar. Chorar e chorar os dias em que me tranquei no meu mundo dando adeus à solidão enquanto aquecia um café para me esquentar, porque você não sabe, não imagina os descasos que a vida me traz. Nunca tive proteção, embora tenha tentado construir muros e depois acabado por descobrir que os tijolos eram pesados demais para eu carregar. Quero chorar sob a luz dos seus olhos claros e não peço que chores comigo: apenas passe a mão pelos meus cabelos e diga que há outra vida me esperando. A esperança é e sempre será a outra vida. No seu abraço o meu choro viraria confissão e, pela primeira vez, eu seria eu, sem retaguarda alguma. Eu quero me despir no choro mais aguado dos dias mais amargos e ter certeza de que ao fim dele você ainda encarará o meu rosto inchado com a mesma doçura. Sem compaixão: metade do que sofri, fiz por onde. A vida segue a trazer o que se planta e nem sempre os meus jardins foram somente de flores. Mas no seu abraço posso me redimir pela vida que maltratei. Sempre me joguei entre portas e janelas, sempre encarei o inverno com poucas roupas no corpo, entenda: eu preciso desse choro desde que nasci...
"Eu quero viver na sua memória. Qualquer coisa que eu fizer, mesmo que completamente equivocada, tem apenas esse objetivo. Eu já caminhei bastante, já vivi algumas coisas, já conheci umas pessoas. Nenhum lugar, nenhum, me deixou mais plena do que dentro das lembranças que você tem de mim. E eu sei que quando você começar a esquecer alguns detalhes, sua imaginação vai ajudar." Um dia, mais um dia, aquele dia, todo dia...
Sou de virgem... e só de imaginar me dá vertigem!
30 abril 2012
18 abril 2012
17 abril 2012
Filho amado...
Houve uma vez um dia muito difícil. Meu coração estava quebrado e minha respiração pesava muito. Voltei para casa tão triste, tão sozinha, que o único destino possível era o travesseiro. Eu não queria fazer nada, falar com ninguém, saber de coisa alguma nesse mundo porque na véspera eu tinha perdido um bocado de esperança. Era minha dor, era grande e eu precisava chorar. Nada naquele dia me faria sorrir. Eu me lembro nitidamente do momento em que você entrou no meu quarto e se sentou ao meu lado, enquanto eu, de bruços, encharcava o travesseiro. Eu amava muito e por isso sofria muito e disso você entendia muito bem. Você foi tão solidário. Não cobrou, não me incomodou com detalhes, não me pediu para parar de chorar. Apenas passou a mão nas minhas costas e perguntou se eu queria dividir minha história, aliviar a carga. Você se dispôs. Foi tão amoroso. Eu aceitei e falei do jeito que consegui. E, sem qualquer julgamento, você elogiou minha coragem, minha força. Nem disse que iria passar logo, afinal conhecia a natureza da minha dor. Simplesmente me olhou com olhos de amor, amizade e solidariedade que me seguraram naquele dia, que me puseram de pé. Depois fomos tomar café naquela mesa da cozinha e o dia seguiu, depois outro, a semana, meses, anos, vida. Que sorte a minha de você ter entrado no meu quarto, torcendo tanto por mim. Eu sentia a torcida, nas suas mãos, nos seus olhos. Como sempre.
Hoje uma cena semelhante ocorreu em uma sala bem distante do meu antigo quarto. Você teria me ajudado outra vez. Não fosse o infeliz detalhe de que hoje meu choro era inteiro por saudades de você.
Sempre dói filho... mas hoje, foi uma dor absurda! te amo sempre e tanto!
13 abril 2012
12 abril 2012
Tomara que os olhos desse inverno...
...das circunstâncias mais doídas, não sejam capazes de encobrir por muito tempo os nossos olhos de sol . Que toda vez que o nosso coração se resfriar à beça, e a respiração se fizer áspera demais, a gente possa descobrir maneiras para cuidar dele com o carinho todo que ele merece . Que lá no fundo mais fundo do mais fundo abismo nos reste sempre uma brecha qualquer, ínfima, tímida, para ver também um bocadinho de céu . Tomara que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo para semear de novo . Que a lembrança dos pés feridos quando, valentes, descalçamos os sentimentos, não nos tire a coragem de sentir confiança . Que sempre que doer muito, os cansaços da gente encontrem um lugar de paz para descansar na varanda mais calma da nossa mente . Que o medo exista, porque ele existe, mas que não tenha tamanho para ceifar o nosso amor . Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo . Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso . Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes . Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito . Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria . Tomara que apesar dos apesares todos, dos pesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz . Tomara.
11 abril 2012
10 abril 2012
Abra os olhos, de novo. Abra esse verbo de adeus.
Nossas conversas não foram tolas como achamos que fossem e o suspiro finalmente chega. É hora de os pontos se fazerem pontos e nossas cicatrizes frágeis de tantos enganos se transformarem sutilmente num fim sem remorsos.
A despedida, não sabíamos, foi há tempos. Os lenços brancos amarelam no chão amargando a dureza dos milhões de murros em ponta de faca, a beleza do parir de pôres-do-sol e de um raiozinho fino e bobo que ainda nos une, num vago sonho de primavera.
Estou para poucas letras. Mas quero que saiba que a falta destrói as velhas pontes de nós e apaga as velas como quem morre.
Um brinde a isso que fica.
Um vinho tão velho quanto o nosso discurso para comemorar esse espetáculo vencido que nos tornamos... mas o peito ainda arde.
Ainda amo-lhe com todos os ódios e a lucidez ilusória das saudades de domingo.
E se os lenços são velhos, então choremos as velhas lágrimas, falemos sobre os velhos tempos, nos apertemos nos abraços mais velhos.
Não quero engavetar esse álbum se ainda é tão cedo. As tantas páginas em branco são janelas largas dessa metáfora do inesperado que é o futuro.
Abra os olhos, de novo. Feche esse verbo de adeus.
E volte,
Não é pelo gosto inevitável por sofrer, a tristeza tem seus goles mais doces, mas sinto que nesse ranger de ser-em-ser um eu-triste, um ritual de se ver sempre as mesmas faces nos segue.
Olhar para trás de tempos em tempos e se banhar na ilusão de que as cores de ontem eram mais certas, corroer as horas inúteis de cama e namoros inférteis para chorar os livros não-lidos, as noites tão mesmas são feridas abertas na carne de quem perde os pais numa tarde qualquer e não alcança na mente momentos melhores do que os pouco-felizes.
Viver, para quem é como nós, de costas com alças para que se leve fácil, é nunca ter paz.
Vontades vadias de amores sonhados, bolsos cheios, noites completas e viagens de férias preenchem a alma e condenam a voz de um gosto pelo hoje que não mais tem se deixado cair nestas páginas.
Por isso, quando for frio o bastante para não se crer em nada que não toque minhas mãos, e sonhar na escadaria dos bares com queridos-amigos-que-morrem-um-dia já não condizer com meus planos certeiros de envelhecer com graça e romper com as garras das ilusões de garota, dobre-me ao meio e me guarde na caixa, amigo, pois me rendi à tolice de estar velha-madura e cansei de me ser.
09 abril 2012
Assinar:
Comentários (Atom)



