Sou de virgem... e só de imaginar me dá vertigem!



30 abril 2012

Penso em deitar no seu abraço e chorar aquele choro desesperado de criança. Há muito o que se chorar. Por mais que a vida sempre se salve em um dia ou outro, preciso chorar, pois há fraquezas que somente o chorar poderá cobrir. Chorar para você me proteger do vento frio lá de fora que me invadiu por inteiro. Chorar por ter caído algumas vezes e não ter voltado para me juntar. Chorar e chorar os dias em que me tranquei no meu mundo dando adeus à solidão enquanto aquecia um café para me esquentar, porque você não sabe, não imagina os descasos que a vida me traz. Nunca tive proteção, embora tenha tentado construir muros e depois acabado por descobrir que os tijolos eram pesados demais para eu carregar. Quero chorar sob a luz dos seus olhos claros e não peço que chores comigo: apenas passe a mão pelos meus cabelos e diga que há outra vida me esperando. A esperança é e sempre será a outra vida. No seu abraço o meu choro viraria confissão e, pela primeira vez, eu seria eu, sem retaguarda alguma. Eu quero me despir no choro mais aguado dos dias mais amargos e ter certeza de que ao fim dele você ainda encarará o meu rosto inchado com a mesma doçura. Sem compaixão: metade do que sofri, fiz por onde. A vida segue a trazer o que se planta e nem sempre os meus jardins foram somente de flores. Mas no seu abraço posso me redimir pela vida que maltratei.  Sempre me joguei entre portas e janelas, sempre encarei o inverno com poucas roupas no corpo, entenda: eu preciso desse choro desde que nasci...