Sou de virgem... e só de imaginar me dá vertigem!



20 outubro 2011

ADEUS AMOR!



Adeus, meu amor, logo nos desconheceremos... Mudaremos os cabelos, amansaremos as feições, apagarei seus gostos e suas músicas. Vamos envelhecer pelas mãos. Não andarei segurando os bolsos de trás de suas calças. Tropeçarei sozinha em meus suspiros, procurando me equilibrar perto das paredes. Esquecerei suas taras, suas vontades, os segredos de família... Riscarei o nosso trajeto do mapa. Farei amizade com seus inimigos.  Não poderei mais falar da rapidez com que você abria meu sutiã. Vou deixar de sorrir, falar mais baixo, fazer sinal da cruz ao passar por igrejas e cemitérios.  O mar cobrirá o desenho das quadras no inverno. As pombas sentirão mais fome nas praças. Perderei a seqüência de cada manhã. Meus dias serão mais curtos sem seus ouvidos. Não acharei minha esperança nas gavetas das meias. Seus dentes estarão mais colados, mais trincados, menos soltos pela língua. Ficarei com raiva de seu conformismo. Perderei o tempo de sua risada. A dor será uma amizade fiel e estranha. Não perceberei seus quilos a mais, seus quilos a menos, sua vontade de nadar na cama ao se espreguiçar. Vou cumprimentá-lo com as sobrancelhas e não terei apetite para dizer coisa alguma. Não olharei para trás, para não prometer a volta. Não olharei para os lados, para não ameaçá-lo com a dúvida. Adeus, meu amor, a vida não nos pretende eternos. Haverá a sensação de residir numa cidade extinta, de cuidar dos escombros para levantar a nova casa. Adeus, meu amor. Não faremos mais brigas por motivo algum, nem festa ao nos encontrarmos. Não puxaremos assunto com os estranhos. Não receberemos elogios  sobre nossas afinidades. Não tocaremos os pés de madrugada. Não tocaremos os braços nos filmes. Não trocaremos de lado ao acordar.  Não olharemos as vitrines em busca de presentes. O celular permanecerá desligado. Nunca descobriremos ao certo o que nos impediu, quem desistiu primeiro, quem não teve paciência de compreender. Só os ossos têm paciência, meu amor, não a carne, com ânsias de se completar. Não encontrará vestígios de minha passagem no futuro. Abandonará de repente meu telefone. Na primeira recaída, procurará o número na agenda. Não estava em sua agenda. Não se anota amores na agenda. Na segunda recaída, perguntará o que faço aos conhecidos. As demais recaídas serão como soluços depois de tomar muita água. Adeus, meu amor. Terá filhos com outras mulheres. Terá insônia com outras mulheres. Desviará de assunto ao escutar meu nome. Adeus, meu amor.


19 outubro 2011


18 outubro 2011

O AMOR NÃO ACABA...


Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba?

O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são subtituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos.

Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito.

O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.


                                               O AMOR NÃO ACABA, NÓS É QUE MUDAMOS...

13 outubro 2011

É MUITO MAIS QUE AMOR...



É TODA A RAZÃO DO MEU VIVER!!!

SOLIDÃO



As ondas se formavam perfeitas. Enquanto uma ia se quebrando, outra ia se formando numa perfeita simetria...
No horizonte, começava a surgir o azul escuro do anoitecer e a medida que os meus olhos iam subindo no céu, ia ficando mais alaranjado. Uma completa harmonia de cores.
Pedaços de algodão flutuavam no meio daquela imensidão azul formando um caminho. Sim, uma estrada que cortava o céu de nuvens arroxeadas contornadas em laranja pelo reflexo do sol... E baixas! Mas tão baixas que a impressão que tinha era de que se esticasse a mão, seria possível alcançá-las. Tão perto, tão pertinho... Mas tão distante.
Uma suave brisa gelada sobrava balançando de leve meus cabelos e tentando levar pra longe a tristeza que escorria em meu rosto.
Tudo na mais perfeita sintonia: céu, mar, vento, nuvens...
...só eu destoava ali no meio.


P.S.: TÁ TUDO CINZA SEM VOCÊ, TÁ TÃO VAZIO ♫♪

06 outubro 2011

Dizem as "boas" linguas que isso foi escrito prá mim...rs

O destino colocou-me em seu caminho, Nunca mais sairei em busca de um outro amor. No seu olhar encontrei a vida, em suas mãos apoio.
No seu sorriso a alegria do meus dias, na sua alma aconchego e paz. Caminharás quem sabe por estradas desconhecidas, lutará com a noite , com tempo e com a vida. 
Estarei sempre ao seu lado embora não me vejas, serei sua respiração, o seu coração e sua alma. Quero ser para você... como a chuva e o vento.
A chuva para escrever em seu rosto, o vento para acariciar sua pele. Quero ser tudo em você, e por você . Quero sempre estar ao seu lado, e em seu coração.
Até a morte e quero ser a sua alma, para estar com você, até a eternidade.








                                                                       Obrigada querido, de coração!


Sinto falta de me entregar à essas futilidades fundamentais na vida das pessoas: ser acordada com um bom dia, ser surpreendida com um boa tarde, ganhar beijo de boa noite; ter um colo depois de um dia ruim, dar risada de nada e não lembrar da segunda - feira quando alguém consegue transformar o seu domingo à noite. Eu sinto em mim, uma vontade pulsando dentro do peito de preencher essas linhas com parágrafos inteiros dedicados à alguém que precise 'ouvir', tanto quanto eu preciso falar. As sobras de tantos casos mal terminados, de tantos começos que logo encontraram finais, parecem ter agora se juntado e formado essa ânsia em querer entregar esse sentimento ao primeiro coração que aceite o que eu tenho pra doar. Eu transformo o encontro de olhares com desconhecidos em um motivo pra acreditar que em qualquer fração de segundo, um desses olhares vai ser o sujeito do meu amor. Que o próximo sujeito do meu amor se entregue a minha bagunça e se renda às consequências dos meus planos e que seja sujeito simples, que só precise estar no lugar certo da história pra completar o verbo 'amar'.

03 outubro 2011

"O amor nunca morre de morte natural. Añais Nin estava certa. 
Morre porque o matamos ou o deixamos morrer. 
Morre envenenado pela angústia. Morre enforcado pelo abraço. Morre esfaqueado pelas costas. Morre eletrocutado pela sinceridade. Morre atropelado pela grosseria. Morre sufocado pela desavença. 
Mortes patéticas, cruéis, sem obituário e missa de sétimo dia.
Mortes sem sangramento. Lavadas. Com os ossos e as lembranças deslocados.
O amor não morre de velhice, em paz com a cama e com a fortuna dos dedos.
Morre com um beijo dado sem ênfase. Um dia morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Morre porque queremos que morra. Decidimos que ele está morto. Facilitamos seu estremecimento. 
O amor não poderia morrer, ele não tem fim. Nós que criamos a despedida por não suportar sua longevidade. Por invejar que ele seja maior do que a nossa vida.
O fim do amor não será suicídio. O amor é sempre homicídio. A boca estará estranhamente carregada.
Repassei os olhos pelos meus namoros e relacionamentos. Permiti que o amor morresse. Eu o vi indo para o mar de noite e não socorri. Eu vi que ele poderia escorregar dos andares da memória e não apressei o corrimão. Não avisei o amor no primeiro sinal de fraqueza. No primeiro acidente. Aceitei que desmoronasse, não levantei as ruínas sobre o passado. Fui orgulhosa e não me arrependi. Meu orgulho não salvou ninguém. O orgulho não salva, o orgulho coleciona mortos.
No mínimo, merecia ser incriminado por omissão.
Mas talvez eu tenha matado meus amores. Seja uma serial killer. Perigosa, silenciosa, como todos os amantes, com aparência inofensiva de balconista. Fiz da dor uma alegria quando não restava alegria. 
Mato; não confesso e repito os rituais. Escondo o corpo dele em meu próprio corpo. Durmo suando frio e disfarço que foi um pesadelo. Desfaço as pistas e suspeitas assim que termino o relacionamento. Queimo o que fui. E recomeço, com a certeza de que não houve testemunhas.
Mato porque não tolero o contraponto. A divergência. Mato porque ele conheceu meu lado escuro e estou envergonhada. Mato e mudo de personalidade, ao invés de conviver com minhas personalidades inacabadas e falhas.
Mato porque aguardava o elogio e recebia de volta a verdade. 
O amor é perigoso para quem não resolveu seus problemas. O amor delata, o amor incomoda, o amor ofende, fala as coisas mais extraordinárias sem recuar. O amor é a boca suja. O amor repetirá na cozinha o que foi contado em segredo no quarto. O amor vai abrir o assoalho, o porão proibido, fazer faxina em sua casa. Colocar fora o que precisava, reintegrar ao armário o que temia rever.
O amor é sempre assassinado. Para confiarmos a nossa vida para outra pessoa, devemos saber o que fizemos antes com ela.