Houve uma vez um dia muito difícil. Meu coração estava quebrado e minha respiração pesava muito. Voltei para casa tão triste, tão sozinha, que o único destino possível era o travesseiro. Eu não queria fazer nada, falar com ninguém, saber de coisa alguma nesse mundo porque na véspera eu tinha perdido um bocado de esperança. Era minha dor, era grande e eu precisava chorar. Nada naquele dia me faria sorrir. Eu me lembro nitidamente do momento em que você entrou no meu quarto e se sentou ao meu lado, enquanto eu, de bruços, encharcava o travesseiro. Eu amava muito e por isso sofria muito e disso você entendia muito bem. Você foi tão solidário. Não cobrou, não me incomodou com detalhes, não me pediu para parar de chorar. Apenas passou a mão nas minhas costas e perguntou se eu queria dividir minha história, aliviar a carga. Você se dispôs. Foi tão amoroso. Eu aceitei e falei do jeito que consegui. E, sem qualquer julgamento, você elogiou minha coragem, minha força. Nem disse que iria passar logo, afinal conhecia a natureza da minha dor. Simplesmente me olhou com olhos de amor, amizade e solidariedade que me seguraram naquele dia, que me puseram de pé. Depois fomos tomar café naquela mesa da cozinha e o dia seguiu, depois outro, a semana, meses, anos, vida. Que sorte a minha de você ter entrado no meu quarto, torcendo tanto por mim. Eu sentia a torcida, nas suas mãos, nos seus olhos. Como sempre.
Hoje uma cena semelhante ocorreu em uma sala bem distante do meu antigo quarto. Você teria me ajudado outra vez. Não fosse o infeliz detalhe de que hoje meu choro era inteiro por saudades de você.
Sempre dói filho... mas hoje, foi uma dor absurda! te amo sempre e tanto!