Tenho certeza absoluta que nesses momentos é sempre a minha impulsividade que fala mais alto, ela, que sabe tanto de mim, que sabe tanto o que eu quero...
E ali, naquela noite fria, algumas horas mais tarde, estava eu: congelada (frio? nervosismo? ansiedade?) esperando você! Conversava telepaticamente com minha única companhia, e tenho certeza que naquele momento, em que o passado voltava a minha mente, me trazendo sensações maravilhosas, ele me entendia: meu cigarro... já tão calejado de minhas histórias, já tão cansado dessa minha companhia barata, dessa minha necessidade incabível de tê-lo sempre comigo... resolvi que era a hora de deixá-lo ali, no chão, já que apenas uma pequena parte dele me ajudava a espantar o frio...
Voei... voei prá longe, voltei prá perto...parei em você e no meio dessa minha viagem infernal até o paraíso, percebi que você vinha em minha direção...
Tão você, tão seguro, tão intenso, tão eu!
E foi então, que daquela mesma maneira de sempre, você me abraçou. E por alguns instantes, no calor daquele abraço, eu quase havia esquecido que apenas dez anos haviam se passado desde o dia que você me abraçou assim pela primeira vez.
E foi tão bom perceber que a vida e o tempo, haviam feito mudanças em nós, mas você continuava o mesmo... O mesmo sorriso perturbador, a mesma maneira de falar, o mesmo cheiro, o mesmo abraço que me fazia esquecer o mundo...
E por um momento desejei que assim como a noite, aquele momento se congelasse e eu pudesse ficar ali, encostada no seu peito, sentindo o calor do seu corpo, sentindo aquele carinho imenso e intenso que tão bem me faz!
Tenho certeza que por mais intimidade que eu tenha com as palavras e elas comigo, hoje, eu não conseguiria traduzir todo o encanto daquele momento...
E entre uma palavra e outra, um sorriso e outro, um olhar e outro, conseguimos nos saber nas entrelinhas, conseguimos nos resgatar no tempo e você me fez recordar um dos momentos mais especiais da minha vida. Voltei dez anos no tempo, ao nosso tempo, ao dia em que nos conhecemos, ao dia em que nos perdemos, aos dias em que fui sua, ao dia em que você não me quis mais... O quanto eu te odiei naquele dia e o quanto te amei e te quis de volta no dia seguinte... E em todos os outros dias que chorei de saudade e em todos os outros dias que você foi se alojando aqui...
Nossa! Como explicar tanto carinho? Como traduzir para você toda a emoção acumulada aqui dentro? Você não precisa de tradução, você simplesmente foi a pessoa especial de uma época especial da minha vida, você foi um grande amor, quando meu amor maior era por mim mesma, você foi o cara! Aliás você não foi, você simplesmente é!
E ali, naquela mesa de bar, entre cervejas, palavras, cigarros, sorrisos, entre lembranças de um passado recente de nós dois, você me fez recordar, relembrar, reviver – viver!
Foi simplesmente perfeito ter estado ontem com você! ... sua maneira de tocar meu rosto, como antigamente, ainda me faz levitar... e estar ao seu lado, mesmo depois de dez anos, me mostrou que apesar de tudo, mesmo que por breves instantes, ainda é possível voar...
Claro que eu não poderia terminar esse texto, sem assinar da mesma forma como você costuma me chamar:
Tua Lu!
P.S.: borboletas com saudade!
...e agora você volta, e balança o que eu sentia por outro alguém...
