Disforme. Nublado. Nem doce, nem salgado, nem agridoce, nem sem gosto. Não chega a ser amargo ou azedo. É um gosto diferente de tudo. Muito conforto pro corpo pode ser desconfortável pra alma. Os opostos se distraem e quando as diferenças gritam, estranham. A gente se engana tanto. Seria tão bom se a gente pudesse viver só de vontade. Se as vontades largassem o mundo abstrato e aparecessem em forma de realidade. Muita ferida para pouco sopro. Os dias azuis se transformaram em cinzas numa velocidade impressionante. A gente nasce decorando o hino que tristeza não tem fim e felicidade sim. O jeito é acostumar-se? Estou ficando craque em equívocos. E se toda consequência tem causa, algumas causas são bem complicadas de desvendar. Muito ruim os dias em que não se pode combater o marasmo com maresia. Sempre podia ser pior. Sempre há gente em condições mais duras. Mas como conseguir transformar esse tipo de informação em consolo? Ah, tenho tanto para aprender. Ando cheia de vazio. Anda sobrando saudade. Acho que a gente deveria ter mais chances de reparar os erros ou de saber o resultado de cada um dos caminhos que se abrem à nossa frente em alguns momentos. Vivo me oferecendo pra ser ajudante de Deus. Tenho muitas sugestões pra melhorar o mundo. Mas se Ele der uma forcinha aqui pra melhorar meu pequeno mundo já me dou por satisfeita, sozinha é muito difícil. Merecer é um verbo que eu não entendo a conjugação.