"(...) Acontece que as noites passavam repetidas pra dar lugar aos dias que não se viam. Tudo acontecia rápido e batido. Os olhos no despertador, a escova nos dentes, os sapatos nos pés, os pés de lá pra cá o dia todo, as mãos no telefone, as palavras que não se deveria dizer, o choro que não encontrava outro caminho, a cabeça no travesseiro. O dia começou de novo.
E não importava se com compaixão ou com raiva. Não importava quantas coisas eles dissessem pra se machucar aos poucos com medo de um dia não ter mais volta. Não importava em que fuso estavam ou se o horóscopo disse que a única solução era acreditar. O que importava é que estavam cansados, estavam mudos e um pouco burros. Estavam com medo de escuro mas não tinha aonde acender a luz. O que importava é que descobriram que se vive de amor sim, mas que pra isso se sofre muito. (...)
Escolher entre a paz e o amor é a decisão mais importante de uma vida, mas pensando bem, que espécie de paz seria essa sem as mãos dele na nuca dela, os pés esquentando uns aos outros, as guerras de ciúme que acabavam quentes e úmidas e sem nenhuma tropa inimiga por perto? O que seria da vida dela se não um marasmo, se não fosse a presença dele? E embora fosse difícil e doesse mais alto do que ela pudesse gritar, ela sabia que aquilo que eles tinham não se encontrava num bar, num restaurante ou nas piadas cheirando à cerveja e sacanagem que saíam da boca de qualquer outra pessoa por aí. O que eles tinham tinha a força de uma saudade até quando eles estavam juntos e, isso, risada nenhuma podia pagar. Rir somente, era tão pouco.
Talvez então, pensou, não valesse tanto a pena querer buscar só a risada. Lembrou então - fechando os olhos cansados de olhar em volta - que quando ela pensava nele não dava tempo de achar graça, não dava tempo de questionar mais e nem de pensar que era infeliz. Pensar nele era tanto sorriso. E aí ela finalmente então entendeu o que o mundo todo queria dizer quando explicou que sem a guerra não há a paz."
E não importava se com compaixão ou com raiva. Não importava quantas coisas eles dissessem pra se machucar aos poucos com medo de um dia não ter mais volta. Não importava em que fuso estavam ou se o horóscopo disse que a única solução era acreditar. O que importava é que estavam cansados, estavam mudos e um pouco burros. Estavam com medo de escuro mas não tinha aonde acender a luz. O que importava é que descobriram que se vive de amor sim, mas que pra isso se sofre muito. (...)
Escolher entre a paz e o amor é a decisão mais importante de uma vida, mas pensando bem, que espécie de paz seria essa sem as mãos dele na nuca dela, os pés esquentando uns aos outros, as guerras de ciúme que acabavam quentes e úmidas e sem nenhuma tropa inimiga por perto? O que seria da vida dela se não um marasmo, se não fosse a presença dele? E embora fosse difícil e doesse mais alto do que ela pudesse gritar, ela sabia que aquilo que eles tinham não se encontrava num bar, num restaurante ou nas piadas cheirando à cerveja e sacanagem que saíam da boca de qualquer outra pessoa por aí. O que eles tinham tinha a força de uma saudade até quando eles estavam juntos e, isso, risada nenhuma podia pagar. Rir somente, era tão pouco.
Talvez então, pensou, não valesse tanto a pena querer buscar só a risada. Lembrou então - fechando os olhos cansados de olhar em volta - que quando ela pensava nele não dava tempo de achar graça, não dava tempo de questionar mais e nem de pensar que era infeliz. Pensar nele era tanto sorriso. E aí ela finalmente então entendeu o que o mundo todo queria dizer quando explicou que sem a guerra não há a paz."
