Sou de virgem... e só de imaginar me dá vertigem!



26 junho 2010



Eu queria entender como depois de tanto tempo você ainda me dói tanto, ou se sou eu a me fazer doer por continuar tentando fazer sentido. De lacunas, de ausências e de brechas, eu ando entendida. O espaço dentro de mim que era tão pequeno para dois corações, me parece tão grande agora, assim como ficou infinitamente maior espaço na minha vida para a saudade de alguém que já não está mais ao meu lado. Há dias eu preciso chover! Lavar a alma e borrar minha maquiagem...
Hoje eu narrei a mim mesma, com frases invisíveis, o nosso pretérito-quase-perfeito e eu quase pude tocar meus pensamentos. Certa lembrança se materializou bem na minha frente, sem nenhum aviso, só para me mostrar sobre tudo que eu poderia ter sido e não fui. Chove. Vejo os pingos da janela. Escorri-me por dentro e você brotou aqui, bem no canto do meu olho esquerdo. É que o coração verteu, desaguou. A alma se fez despejar, fazendo escorrer por dentro toda a poeira dos vãos. Molharam-se os e-mails, as fotos, os sons. Foi a primeira vez que senti o cheiro da água. Nem tentei evitar as gotas que caíram desse dia cinza, já que não há mesmo guarda-chuva contra o amor. Lancei-me em mim, a favor da correnteza, assim como toda a água que procura o seu mar, sou eu o meu próprio oceano, mesmo que um oceano de incertezas.
Por tudo o que já não é mais, eu transbordo. Por tudo o que ainda não é, eu derramo. Por tudo o que se pode chamar de agora, eu broto. Há certo gosto em chover... Juro! Existem lágrimas que não são assim tão tristes, têm tempero adocicado. São como prêmios que a gente recebe, apenas por continuar tentando. Agora eu tento fazer sentido. Agora eu tento te deixar escorrer. Agora eu posso seguir de alma lavada e cabeça erguida, mesmo com o coração na mão. Agora eu posso te dizer que você ainda me dói, mas ao invés de sempre, é apenas quando eu menos espero!